Falando de RH por Lilian Perrotti
Nesse final de semana nos vislumbramos com uma situação das mais angustiantes. Pessoas comemorando. Pessoas com uma tristeza profunda. Pessoas com uma indiferença gritante. Mas o que mais me chamou a atenção, foi a dificuldade com que a maioria trabalhou a competência emocional. Famílias e amigos entraram em verdadeiros embates pessoais e nas redes sociais, vimos todo o tipo de xingamento e distrato a povos, raças e etnias.
Fiquei imaginando o porquê desse cenário tão descabido. A única conclusão a que cheguei é que, na verdade, na verdade mesmo, o real motivo de tal comportamento, só pode ser explicado pela dificuldade das pessoas em assumir seus reais interesses.
Muito se falou em mudança. Um dos candidatos se auto intitulava como a promessa de mudança. Fiquei imaginando que é possível que justamente essa tenha sido a razão de não ter se elegido: MUDANÇA. Essa palavrinha assusta às pessoas.
Será que as pessoas querem realmente mudar? Quantos, dias antes das eleições, apregoaram, quase se comprometendo que se mudariam de país se candidato A ou B ganhasse a disputa, e quantos efetivamente irão sair do país, ou deixar de trabalhar ou seja lá o que tenham divulgado. Fácil responder: POUCOS, MUITO POUCOS, talvez, quase sem medo de errar, NENHUM.
Se pararmos para pensar, em várias situações de treinamento falamos em mudar o processo, mudar o comportamento, mudar isso ou aquilo. Vemos frequentemente instrutores e mais instrutores falando em “sair da zona de Conforto” para atingir a mudança. Tenho trabalhado com meus grupos justamente o contrário: fiquemos na nossa ZONA DE CONFORTO para atingir a mudança. Na realidade, penso que temos é que sair da ZONA DE ACOMODAÇÃO. Essa sim nos incapacita.
Muitos tem medo da mudança porque não sabem o que esperar desse processo. Por vezes sequer sabem ou reconhecem o momento atual. Então, pergunto, como esperar algo melhor se seu padrão comparativo não existe?
Deixe-me exemplificar ao que me refiro: em outubro do ano passado, em certa noite, enquanto ministrava minhas aulas para um curso técnico, ouvíamos, passando pela porta da escola, um grupo enorme de pessoas (talvez milhares de pessoas) gritando a famosa frase “VEM PRA RUA”. Claro que a moçada em aula logo questionou: Professora, deixa a gente sair com a passeata?
Rapidamente, até para aproveitar o momento, permiti com uma condição: ‘Ok, Pessoal. Se houver alguém aqui que consiga me explicar o motivo das reivindicações, eu deixo vocês acompanharem a manifestação.’
Depois de um silêncio quase sepulcral, consegui seguir com minha aula.
Lembre-se que a mudança é um processo que nos leva de um ponto atual para um desejado. Mas se não reconhecemos o momento da partida, fica difícil iniciarmos qualquer tipo de jornada.
Faz sentido?
Resumindo, como vimos o Gato dizer no filme “Alice no País das Maravilhas”:
Para quem não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve!
Boa semana e até a próxima!
28/10/14 |Lilian Perrotti