Falando de RH por Lilian Perrotti
Em praticamente todas as organizações por onde passei, vi o termo feedback ser amplamente utilizado. Em algumas organizações convidei os gestores a avaliar como, quando e o porquê deveríamos utilizar essa poderosa ferramenta de gestão.
Surpreendentemente ouvi explanações que, no mínimo, assustam. Muitos acreditam que trata-se de um instrumento de avaliação que promoverá (ou não) aumentos salariais, outros tantos acreditam que a ferramenta tem cunho punitivo, servindo para colocar o colaborador “em seu lugar”, alguns acreditam que trata-se de um mal necessário.
Por curiosidade fui buscar na internet algumas traduções para a expressão em inglês. Fiquei positivamente surpresa, pois encontrei traduções que se referiam à expressão como sendo sinônimo de observação, referência, reação, comentário. No meu modo de pensar, tais expressões, apesar de aparecerem em situações não ligadas ao processo de gestão de pessoas, são bem mais próximas do significado real.
O processo de feedback (sim, pasmem, é um processo) é poderosíssimo e por isso mesmo tem algumas particularidades. O próprio fato de nos referirmos a ele como processo, já nos infere que trata-se de uma ação contínua, que circula com inputs e outputs.
Como ferramenta, esse incrível processo atende às três necessidades básicas dos ser humano: ser ouvido na essência, ter o direito de errar e ser reconhecido e recompensado. Todo o indivíduo tem o direito de conhecer sua relação com o meio no qual está inserido.
Uma das práticas que mais denigrem o conceito, é o de utilizar a ferramenta apenas à época das temidas (ou ansiosamente aguardadas) avaliações de desempenho formais nas empresas. É interessante que o processo de feedback aconteça diariamente, para que possa cumprir sua principal missão que balizar o indivíduo em suas ações.
No entanto, para tornar essa frequência uma prática, é conveniente que o gestor ou o condutor do processo atente para o desenvolvimento de algumas competências da inteligência emocional, como a confiança, que pode ser traduzida como a certeza das pessoas em superar quaisquer obstáculos.
Outra competência importante é a empatia que mostra a capacidade do indivíduo em saber ganhar a compreensão de outras pessoas, desenvolvendo a capacidade de analisar com precisão as motivações dos indivíduos. O desenvolvimento dessa competência contribui para aumentar a sensibilidade às diferenças fazendo o indivíduo compreender os diversos pontos de vista.
Um ponto de desenvolvimento igualmente importante aos gestores que pretendem adotar a prática frequente do feedback, é aumentar sua tolerância à ambiguidade, para que se consiga lidar confortavelmente com situações que não podem ser antecipadas ou que fujam das expectativas do indivíduo. Atuar de maneira eficaz em relação às incertezas, diversidades e mudanças podem ser bons atalhos para manter um bom relacionamento interpessoal.
Lembre-se da famosa frase de Einstein: “Insanidade é fazer todos os dias a mesma coisa e esperar por resultados diferentes”.
Capacite-se. Reflita e boa semana.
Até a próxima!
12/11/14 |Lilian Perrotti