Falando de RH por Lilian Perrotti
Quando lidamos com pessoas que buscam se estabilizar ou até mesmo criar sua carreira profissional, a primeira pergunta que, acredito, se deve fazer é sobre o real motivo que faz com que se queira carreira A ou B. Por que escolher determinada profissão em detrimento de outra? Por que seguir essa ou aquela forma de vida profissional?
Em algumas oportunidades tive o interesse em saber quais eram os motivos geradores para as opções profissionais de alunos ou mesmo de colegas de trabalho ou candidatos em processos seletivos. Via de regra, o que ouço é uma série (às vezes interminável) de razões que o levaram a seguir aquela profissão ou opção.
Quando escuto na essência o que essas pessoas dizem, em 90% dos casos chego à conclusão que, na verdade, não se tratou de OPÇÃO, mas elas chegaram àquele destino profissional por FALTA DE OPÇÃO. Eu explico: 90% dessas pessoas (iniciantes na carreira ou não) referem que ‘acabaram’ entrando para a profissão porque foi o que o pai quis, ou porque foi o emprego que estava disponível e depois não se conseguiu mais mudar o rumo, ou mesmo porque ela precisava ‘ganhar uma grana’.
Se pensarmos mais profundamente vamos chegar à conclusão de que, na verdade, tais pessoas não sabiam que rumo tomar, e nada é mais real quando pensamos que para quem não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve.
Ora, se esse raciocínio faz sentido, me parece claro imaginar que começamos a tomar nossas decisões profissionais partindo de pontos não muito definidos. Como posso definir uma carreira ou profissão se não me conheço de verdade? Se não sei ao certo o que gosto ou não gosto?
Outro dia, substituindo um professor que se ausentou, aproveitei para debater essa temática com a classe. Perguntei ao grupo: por que vocês escolheram esse curso? O que vocês gostam nessa profissão?
Para minha surpresa, um dos alunos que até aquele momento estava completamente apático à aula, ergueu sua mão e disse: “Professora, o que sei é que não quero viver reclamando do meu futuro chefe como meu pai faz. Ele sofre demais e nós sofremos junto porque ele é obrigado a trabalhar por nossa causa.” Fiquei impressionada com a clareza do jovem. Ele não sabia o que queria, mas sabia o que não queria.
Parafraseando o grande Mahatma Gandhi, lembrei imediatamente de sua colocação quando ele disse que nossos sentimentos geram pensamentos que geram palavras, que geram ações, que, repetidas, geram hábitos, que nos fazem criar valores que direcionarão nosso destino.
Assusta imaginar que os sentimentos, pensamentos, palavras, ações, hábitos e valores desse jovem talvez não o estejam direcionando para um destino profissional muito consistente. Mais: é possível que tantos candidatos e profissionais já ‘formados’ com os quais venho conversando, entrevistando, treinando também não tenham tido a condição de serem coerentes com seu real interesse.
Que tal, então, se fizermos o caminho inverso para entender comportamentos tão comuns como os que vemos hoje, como por exemplo, torcer para semana (im)produtiva de trabalho durar apenas dois dias ao invés de cinco ou mesmo a tal síndrome do domingo à noite, quando entramos em “depressão” só porque vamos dormir a acordar numa exaustiva segunda feira?
Quem sabe criando hábitos mais coerentes com nossos sentimentos possamos decidir melhor sobre nosso futuro profissional?
Vale a reflexão. Boa semana e até a próxima!
10/03/15 |Lilian Perrotti