Falando de Rh por Lilian Perrotti
Todo Processo Seletivo, muito possivelmente, deverá passar por pelo menos quatro etapas, análise de Curriculum, Entrevista, Dinâmicas em Grupo e Testes. Nas últimas semanas abordamos alguns pontos sobre algumas dessas etapas.
Depois que o Perfil Profissional foi analisado e considerado adequado, vencidas as etapas de entrevista, dinâmicas em grupo, talvez a aplicação de testes práticos, de conhecimentos ou mesmo psicológicos, partimos para o momento decisório.
Nessa fase, novamente, o momento de decisão se aplica aos “dois lados da mesa”. Afinal, é óbvio que o selecionador certamente deverá analisar todos os pontos que foram levantados durante as etapas, mas a mim também parece óbvio que o candidato aproveite para analisar tudo que vivenciou e captou sobre o possível futuro empregador.
Esse momento tão precioso, onde ambas as partes devem refletir sobre a possibilidade de sucesso na parceria profissional que está em jogo, não tem recebido a devida atenção.
Por um lado o selecionador pressionado pela urgência do fechamento da vaga, que é uma realidade nas organizações (o fatídico: ‘tudo para ontem’) e por outro, o candidato pressionado pela urgência em se posicionar, pois, em alguns casos, sua subsistência está chegando à patamares críticos.
Mas, apesar dessas duas realidades, eu insisto que há de se investir, isso mesmo, investir e não gastar um tempo, na análise de todos os pontos que ambas as partes levantaram.
O valores do candidato são adequados aos valores corporativos da Empresa?
E os valores da empresa se adequam aos valores do candidato?
Parece uma reflexão tola e inútil, mas por não ser adequadamente observada, tenho visto posturas assustadoramente descabidas.
Há algum tempo atrás, em um treinamento para vinte profissionais da área de recrutamento e seleção de empresas de diversos portes e segmentos, me chamou a atenção a narrativa de cinco deles (estamos falando de 25% dos participantes) que referiram situações onde, depois de um “longo” e “exaustivo” processo seletivo (de acordo com as palavras deles), os recém contratados haviam abandonado, isso mesmo: abandonado, seus postos de trabalho no meio do expediente, após um período que variou de um a três dias da contratação.
O grupo queria então que eu ensinasse ‘regras mágicas’ que assegurassem que essas situações (que geram um prejuízo incrível às empresas) não mais acontecessem.
A resposta é muito simples (não fácil, apenas simples): ter respeito para com o outro. O Grupo ficou indignado, alegando que tinham apresentado respeito para com os candidatos, mas que foram eles que, na condição de recém contratados não haviam tido respeito para com a empresa.
Fato! Mas, a análise não pode ser assim tão fácil (e não simples). O fato é que nem selecionador nem selecionado, enquanto estavam nesse papel, se atentaram às nuances microscópicas de que a relação profissional estava fadada ao fracasso.
Houve um desrespeito para com as verdadeiras emoções e percepções que se evidenciaram durante o processo.
Hoje a dica é para “ambos os lados da mesa”: aproveitem o momento pós processo para analisarem efetivamente quais as chances do sucesso da parceria profissional.
Respeitem suas percepções e atentem-se para as nuances durante o processo seletivo. Mais vale sair em busca por mais algumas semanas de outro candidato (se você é selecionador) ou de outra empresa (se você é candidato). O prejuízo (tanto emocional como financeiro) será infinitamente menor.
Faz sentido?
Continuem a enviar suas dúvidas ou sugestões para o email [email protected].
Boa semana e até a próxima.
14/04/15 |Lilian Perrotti