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Falando de RH por Lilian Perrotti

Nos últimos tempos vimos nos deparando com situações que nos estão levando à algumas situações de desconforto: alterações nas regras de trabalho, alterações nas regras de aposentadoria, novas formas de trabalho, aumentos nas despesas mensais das famílias entre tantas outras.

Esse fato, muito possivelmente, está mexendo com as crenças e valores de todos. Até mesmo para as pessoas que, como eu, iniciaram suas vidas profissionais em uma realidade onde aconteciam gatilhos mensais para ajuste de salário, onde convivíamos com níveis estratosféricos de inflação que se alteravam diariamente, com altíssimos índices de desemprego e demissões, a nova realidade parece não mais fazer parte do que concebíamos como possível e factível.

Venho observando as reações emocionais que tais mudanças têm gerado nas pessoas com quem convivo, quer seja alunos, treinandos ou clientes. É incrível perceber que o impacto tem sido o mesmo para praticamente todos que tenho observado. Em praticamente 100% dos casos em que me foquei, o reflexo de incredulidade é o mesmo. Parece que as pessoas não conseguem aceitar o motivo do “porque” isto está acontecendo com elas, justamente “agora”. Incredulidade e Injustiça parece ser a chave que direciona as pessoas.

Fiquei me perguntando em qual momento as pessoas entraram nessa perigosa zona de acomodação e como será que se permitiram ou permitiram que outros lhes “fechassem” os olhos para uma realidade que sempre esteve presente e sempre foi possível.

O “golpe de misericórdia” em minha observação aconteceu quando, em 22 de junho último, uma matéria, cujo título foi “Último minuto de junho terá 61 segundos para ajustar relógios”, foi veiculada pelo site de notícias do G1. Essa matéria comentava a inclusão de um segundo em nossos relógios.

Nesse dia estava em um Cliente e comentávamos sobre as alterações sutis que vem acontecendo e seus impactos, e de repente, dentro do contexto da conversa, meu Cliente referiu a matéria e comentou, pesaroso: “Estão mexendo até no que eu achei que nunca ia mudar: o tempo. Nunca achei que meu dia pudesse ter mais que 24 horas e agora sei que pode. O que mais esperar desse mundo? ”.

Fiquei chocada com o tom desconsolado desse senhor, que tem uma trajetória extensa e significativa dentro do mundo dos negócios. Ele, apesar de seu aparente sucesso profissional, desconsiderou a dinâmica da vida. A própria reportagem referia que a inclusão de segundos no nosso tempo é uma prática que existe há anos e que tem uma finalidade e uma explicação científica.

Mas para esse meu Cliente e certamente para tantos outros, essa realidade de tempo imutável havia caído por terra com uma simples reportagem informativa.

Estendendo um pouco o espectro de minha reflexão, fiquei imaginando o quão delicada é essa seara que aborda o processo de mudança na vida, quer seja pessoal quer seja profissional. Comecei a me questionar o quanto precisamos rever conceitos, crenças e valores para aceitar real e verdadeiramente uma mudança nas regras profissionais, financeiras ou pessoais. E mais, como precisamos nos manter preparados e reforçar nosso autoconhecimento para enfrentar todas as adversidades que nos aparecem diariamente.

Puxando a sardinha para nossa profissão, como aumenta nossa responsabilidade de profissionais de RH, cuja uma das atribuições é promover processos de mudanças e resistência à pressão que tais processos causam na Organização.

Talvez seja adequado imaginar que precisamos rever nossos próprios conceitos de princípios e valores. Faz sentido?

Continuem a enviar suas dúvidas ou sugestões para o email [email protected].

Boa semana e até a próxima.

02/07/15 |Lilian Perrotti



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