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Falando de RH por Lilian Perrotti

Interessante como quando nos deparamos com uma situação de crise ou de desconforto ou ainda uma perda, começamos a questionar o porquê das coisas, os motivos que possam ter gerado aquela situação, e por vezes, alguns iniciam um processo reflexivo sobre suas atitudes.

Infelizmente, tão logo a ‘sombra’ da crise, das vacas magras ou de desconforto passe ou amenize, geralmente, retomamos os velhos comportamentos sem sequer nos lembrarmos que havíamos iniciado um processo reflexivo.

Atualmente o que mais está atemorizando as pessoas é a perda de seus empregos, o que, fatalmente, implicaria em uma situação de extrema crise. Infelizmente, nessa última semana, soube de vários casos que foram submetidos à essa vivência nada agradável. Claro, em praticamente todos os casos, essas pessoas iniciaram uma busca por novas oportunidades e óbvio, retomaram seu networking.

Fiquei atenta à forma como as pessoas reagiram frente à mesma temática: a perda do emprego ou da oportunidade formal de trabalho.

Em noventa por cento dos casos, além do sentimento de tristeza pela perda e da preocupação aflitiva com o futuro incerto, senti que havia um comportamento muito prejudicial: a perda da identidade. Eles não se “encontram” mais como pessoas produtivas, não se reconhecem mais como seres idôneos e inteiros.

Achei muito forte isso e me aprofundei na questão, conversando mais diretamente com alguns. Ninguém sabia ao certo identificar o que estava sentindo, praticamente nenhum deles sabia dizer o que se passava na sua cabeça, misturando tantos sentimentos.

Fiquei realmente curiosa em tentar entender porque essas pessoas se sentiam assim, até que, em um dos bate papos, um ex-colega de empresa me disse: “sabe o que é, agora não sou mais o Fulano da ‘Nome da Empresa’.

Bingo!! Era isso. A pessoa perdeu seu “sobrenome” corporativo. Não se reconhecia mais como fazendo parte de um grupo, de uma ‘família’.

Alie-se a isso a total dedicação à empresa sem haver se preocupado, um único segundo com sua carreira, e está consolidada a ‘perda de identidade’.

O indivíduo perde o chão quando é demitido e isso se dá, não pela perda da remuneração mensal ou mesmo pela perda da rotina de todos os dias. O indivíduo não se reconhece mais como sendo parte integrante de algo. Seus valores se misturaram com os da empresa (ou mesmo, foram substituídos por estes), sua ótica só acontecia sob as lentes da organização, e sem essas lentes ele não consegue ‘enxergar’, esse ser não se identifica mais com ele próprio.

Confuso isso, não é mesmo? Arrisco dizer que é confuso e perigoso, porque se a pessoa se perde nessa percepção, provavelmente poderá envolver-se em um quadro depressivo, que poderá tolher novas oportunidades de trabalho.

Portanto, se você está vivenciando algo semelhante ou mesmo conhece alguém nessa condição, eu o convido a refletir que suas competências e saberes continuam com você, esteja ou não posicionado no mercado.

Vale a reflexão e a preparação!

Boa semana e até a próxima.

22/07/15 |Lilian Perrotti



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