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Falando de RH por Lilian Perrotti

Nessa semana, aguardando na fila de um supermercado, em função da proximidade natural de uma fila, acompanhei a conversa de um pai com sua jovem filha, que aparentava ter entre 17 e 19 anos.

A conversa versava, obviamente, sobre a crise e os desdobramentos que poderiam atingir a carreira da jovem. O pai a estava questionando sobre a carreira que ela pensava em seguir. Parte dos questionamentos do zeloso pai passava por perguntas sobre o que a moça havia entendido e apreendido sobre as profissões apresentadas em um seminário, ou algo do gênero, que havia acontecido no colégio da jovem, um pouco antes do início das férias escolares.

Observando a cena, impossível não notar que o pai estava falando praticamente sozinho, porque a jovem estava entretida com algo em seu celular, fotos ou textos possivelmente postados por colegas do seu relacionamento.

Houve momentos nos quais o pai questionava a filha sobre coisas absurdas e sem nexo ou contexto. Ele chegou a lhe dizer: ‘claro, filha, que você pretende ir para Marte, não é mesmo?’.

E a jovem prontamente lhe respondeu: ‘claro né pai, se eu não for, como vou me formar?’.

Nessa altura o pai, já irritado com o pouco caso (para dizer o mínimo) da filha, tomou-lhe o celular da mão e a avisou que só o devolveria no final na próxima semana. A cena que se seguiu foi aterrorizante pois a jovem, quase uma mulher feita, maquiada, bem vestida começou a chorar copiosamente como se o pai lhe tivesse arrancado a mão e não o celular.

Sem se alterar, o pai acompanhou o rompante da jovem e dizia:

“Fulana, você está ciente do que está fazendo? Você acaba de dizer que irá a Marte para se formar e está se comportando como uma pessoa ‘perturbada’. Já pensou se houver algum psiquiatra por aqui? Ou pior, já pensou se houver algum EMPREGADOR por aqui? Você acabou de cometer um suicídio profissional, exteriorizando comportamentos que ninguém gostaria de ter em sua organização. E quer saber? Nem eu quero ter em minha casa alguém tão avoada e despreparada como você.”

Claro que nessa altura do campeonato, a conversa dos dois já era de domínio público e a moça, ainda choramingando, se aproximou do pai, completamente atônita e ainda sem entender a extensão do que havia acabado de protagonizar, e lhe disse que ele estava ficando velho, porque é claro que ela não precisa ir para Marte para ter uma profissão, afinal ela sabe que herdará os negócios da família, por isso NÃO VAI PRECISAR DE UMA PROFISSÃO.

O pai nem respondeu, mas pela sua fisionomia, pareceu-me que ele começou a se questionar como arranjará algum gestor para os negócios familiares, claro ficou que, se insistir em deixar para ela, o negócio estará falido em semanas.

O fato em si já mostra a alienação de alguns jovens que representam o tão esperado “futuro do país”. Fiquei imaginando como esse pai irá dimensionar o futuro de seus negócios, visto que na mão dessa filha, possivelmente não sobrará nada para as futuras gerações daquele clã.

Esse incidente aconteceu no final de semana e durante a semana que se seguiu, aprimorei minha observação na forma como as pessoas estão gerenciando suas vidas profissionais, principalmente em função do cenário atual. O que mais me chamou a atenção foi que aquele rompante da filha mimada que presenciei no final de semana não está tão longe da realidade que acompanhei durante a semana, mesmo quando observei as reações dos “profissionais formados”, com anos de janela e em cargos estratégicos.

Estamos com um número muito grande de “crianças mimadas” e despreparadas para enfrentar e superar a realidade.

Talvez valesse a pena arregaçar as mangas e iniciar um trabalho de autoconhecimento e de entendimento da realidade onde estamos inseridos. Só assim poderemos não só enfrentar, como superar a crise.

Faz sentido? Vale a reflexão!

Boa semana e até a próxima.

30/07/15 |Lilian Perrotti



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