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Falando de RH por Lilian Perrotti

Nessa semana aconteceu, em São Paulo, a 41ª edição do CONARH – Congresso Nacional de Recursos Humanos. Trata-se de um evento direcionado ao público em geral, mas que obviamente é mais focado nos profissionais especializados, estudantes e pretendentes em trabalhar com Gestão de Pessoas.

Dois fatos interessantes me chamaram a atenção nessa edição. O primeiro deles foi que o número de expositores se reduziu à metade do volume do ano passado. Em contrapartida os palestrantes desse ano trouxeram temas muito específicos sobre a sobrevivência e a manutenção do moral do capital humano nas empresas.

Em uma análise primária, vi alguns colegas comentando que os palestrantes estavam “tentando dourar a pílula” ou “tapar o sol com a peneira”. Fiquei imaginando o que estaria levando aqueles profissionais que, possivelmente são os responsáveis pelo capital humano em suas organizações, a uma análise tão rasa, visto que as palestras foram conduzidas por profissionais renomados e todas elas (pelo menos as que assisti) estavam embasadas em dados concretos. Algumas até mostravam percentuais estatísticos, gráficos e comentários de colunistas especializados.

O comentário geral era que a crise isso, a crise aquilo, que era óbvio, pelo reduzido número de expositores, que o mercado estava recessivo e mais um sem número de argumentos embasados na teoria do achismo de suas observações rasas.

Alguns embasamentos apresentados pelos palestrantes davam conta de empresas com 500 NOVOS postos de trabalho abertos, novas plantas fabris sendo inauguradas, crescimento diário de 16% no volume de vendas de um conceituado e muito conhecido varejista do ramo de móveis e eletrodomésticos, entre outros dados comprovados.

É bem verdade que também se falava nas altas taxas de desemprego, no aumento dos volumes de inadimplência no mercado financeiro etc.

Entre uma palestra e outra comecei a refletir como podíamos, em um mesmo evento, ter duas visões tão díspares. No meu entendimento a resposta só pode ser uma: a ótica. E por ótica penso na forma de enxergar um mesmo ponto.

Possivelmente alguém, em algum treinamento ou até mesmo por brincadeira, já deve ter lhe questionado o que você enxerga quando vê um copo com água pela metade. Se nunca lhe questionaram isso, lhe convido a imaginar (ou até mesmo a encher um copo com água pela metade) e se fazer esse questionamento.

Afinal, o que você enxerga? Ele está meio CHEIO ou meio VAZIO?

Percebam que um mesmo fato pode desencadear diversas percepções: há os que responderão que o copo está meio cheio; há os que responderão que ele está meio vazio; e numa terceira maneira de enxergar, poderá haver os que dirão que ele não está nem cheio nem vazio.

Refletindo um pouco mais profundamente, talvez faça sentido dizer que o que está acontecendo no momento atual pode ser algo muito próximo da forma como exploramos a metáfora do copo com água.

No caso do comércio varejista que teve um incremento positivo nas metas diárias em suas comercializações, o que ocorreu foi um envolvimento pessoal da Diretoria, que por “determinação” solicitou a todos os seus colaboradores que, naquele determinado dia, só focassem nas coisas positivas, que só fizessem o que sabem fazer de melhor que é vender sem se preocupar se iriam ou não atingir as metas de vendas. A Diretoria, sabiamente, pediu às pessoas que se divertissem em sua atividade, que fossem solidários uns com os outros e que, sobretudo, ouvissem os clientes com verdade, atendendo-os exatamente com que estavam buscando ao entrar na loja. E bingo: as vendas, sem a obrigação de atingir metas (quando o senso comum é de que estamos em tempos de vacas magras), subiram incríveis 16% num único dia.

A experiência foi tão positiva que a Diretoria resolveu manter essa ação por todos os dias e, claro, naturalmente as metas continuam a se superar dia a dia.

Como explicar? Simples: focando-se nas pessoas e lhes assegurando a tranquilidade necessária para que desempenhassem suas funções com a expertise que possuem, o resultado foi surpreendente.

A propósito a empresa com 500 novos postos de trabalho que menciono acima existe e é do segmento que menos se esperaria uma notícia dessa: automotivo.

Por isso, vale a reflexão: “quando temos muitos a chorar, talvez faça sentido vender lenços”

Faça sua análise e quem sabe também concordará comigo.

Boa Semana e até a próxima!

20/08/15 |Lilian Perrotti



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