Falando de RH por Lilian Perrotti
Na semana passada falamos sobre Postura Profissional e sua importância para a área organizacional. Também na semana passada vimos um país inteiro “arrasado” com o inesperado resultado negativo apresentado pela nossa Seleção Brasileira de Futebol.
Li e assisti a vários comentários, discussões técnicas, descomposturas, xingamentos, enfim, todo tipo de análise sobre os motivos que levaram o grupo que compõe a comissão brasileira de futebol a resultados tão negativos. Tudo que ouvi ou assisti não me convenceu sobre os motivos dessa “desgraça” que se abateu sobre nossa nação. Como pode um técnico que era considerado, até dias atrás, como o melhor do mundo e o único que poderia nos levar à vitória final, se tornar o ultrapassado e caquético técnico que nos levou ao escracho nacional? Como pode jogadores que foram selecionados a dedo durante anos, de uma hora para outra, se tornarem “pernas de pau” sem precedentes?
Não entendo nada das táticas do esporte, mas a mim fica muito claro que o grande vilão foi a desequilíbrio emocional da equipe. Já nas primeiras partidas vimos comentaristas criticarem as reações emocionais que levaram praticamente todos os jogadores às lágrimas quando a torcida cantou o Hino Nacional, pela primeira vez, à capela. Vi comentários que referenciavam que os profissionais estavam emocionalmente abalados. Nessa oportunidade, muitos disseram que na verdade tratava-se de uma reação de patriotismo exacerbado e sentimento de gratidão pela oportunidade descabida para a prática do esporte.
Alguns pontos, a meu ver, precisam ser ressaltados:
- Primeiro que se trata de um grupo jovem, onde nem todos haviam passado pela experiência de campeonatos dessa magnitude.
- Durante a campanha aconteceram várias situações de luto com pessoas próximas aos integrantes da equipe.
- A fratura, em campo, do atleta considerado a “estrela” e pilar central da equipe.
- A responsabilidade inegável de estar “em casa”.
No outro lado das arquibancadas penso que aconteceram as mesmas reações pouco pautadas em um processo de inteligência emocional equilibrado, o que se comprova facilmente quando verificamos o fraco movimento inicial da comercialização dos itens de “patriotismo” exacerbado (camisetas, bandeiras, bonés etc.) e a grande corrida às compras quando passamos para as quartas de final – itens que hoje são considerados “xepa”, ou mesmo quando analisamos as diversas manifestações iniciais contra o evento, que perderam a força conforme conquistávamos as vitórias.
Esse exemplo nacional cuja repercussão está ainda nos “martirizando”, é só um reflexo do que vimos em nossas próprias vidas pessoais e profissionais. O descompromisso com os negócios organizacionais, a perda de memória técnica criada através de treinamentos e mais treinamentos desperdiçados, a dificuldade na captação de profissionais com perfis adequados às organizações, são temáticas coincidentes sobre o que discorremos acima.
Faz sentido para você?
Boa semana e até a próxima.
15/07/14 |Lilian Perrotti